- (…) E o amor é sempre complicado. Mas, mesmo assim, os seres humanos precisam se amar, querida. A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal, ter o coração partido. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa.
- Meu coração se partiu com tanta força da última vez – falei – que ainda está doendo. Não é uma loucura? Ainda estar com o coração partido quase dois anos depois do fim de uma história de amor?
- Querida, sou do sul do Brasil. Sou capaz de ficar com o coração partido durante dez anos por causa de uma mulher que nem cheguei a beijar.
sexta-feira, setembro 30, 2011
quinta-feira, setembro 22, 2011
"Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total."
quarta-feira, setembro 14, 2011
domingo, junho 05, 2011
Engano.
Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é.
Eu sei que vou
Insisto na caminhada. O que não dá é pra ficar parado. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim. O destino da felicidade, me foi traçado no berço.
sábado, abril 02, 2011
Minha. Sua. Nossa culpa.
Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda! Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.
sexta-feira, abril 01, 2011
Something about us
Esse pode não ser o momento certo. Você pode não ser a pessoa certa. Mas há alguma coisa sobre nós que eu quero dizer. Porque há algo entre nós de qualquer maneira. Eu posso não ser a pessoa certa. Esse pode não ser o momento certo. Mas há algo sobre nós que eu tenho que fazer. Algum tipo de segredo que eu compartilharei com você. Eu falo com você mais do que com qualquer um em minha vida. Eu divido coisas com você mais do que com qualquer um em minha vida. Eu rio com você mais do que com qualquer um em minha vida. Eu saio com você mais do que com qualquer um em minha vida. Eu preciso de você mais do que qualquer coisa em minha vida. Eu quero você mais do que qualquer coisa em minha vida. Eu sentiria sua falta mais do que de qualquer um em minha vida. Eu amo você mais do que qualquer um em minha vida.
quarta-feira, março 30, 2011
Lembranças
Qualquer coisa que você faça será insignificante, mas é muito importante que você o faça. Você pode não saber qual é o significado da sua vida, e não precisa. Precisa apenas saber que ela significa alguma coisa. Toda vida tem um significado, mesmo que dure 100 anos ou 100 segundos. Toda vida tem. E cada morte, muda o mundo do seu próprio jeito. Ghandi sabia disso. Ele sabia que sua vida significava alguma coisa para alguém, em algum lugar, de alguma forma. E ele sabia com muita certeza que ele jamais saberia o significado dela. Ele entendeu que viver a vida, deve ser mais uma grande preocupação, do que um entendimento. E eu também. Você pode não saber, então não leve isto por certo, não leve isso muito a sério. Não adie o que você quer, não deixe que nada o impeça. Apenas tenha certeza, de que as pessoas com que você se preocupa saibam. E tenham certeza do que você realmente sente, porque só assim tudo pode acabar.
domingo, março 27, 2011
Menos
Eu preciso aprender a ser menos. Menos dramática. Menos intensa. Menos exagerada. Alguém já desejou isso na vida: ser menos? Pois é. Estranho. Mas eu preciso. Nesse minuto, nesse segundo, por favor, me bloqueie o coração, me cale o pensamento, me dê uma droga forte para tranquilizar a alma. Porque eu preciso. E preciso muito. Eu preciso diminuir o ritmo, abaixar o volume, andar na velocidade permitida, não atropelar quem chega, não tropeçar em mim mesma. Eu preciso respirar. Me aperte o pause, me deixe em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito. Eu preciso desatar o nó. Eu preciso sentir menos, sonhar menos, amar menos, sofrer menos ainda. Aonde está a placa de PARE bem no meio da minha frase? Confesso: eu não consigo. Nada em mim pára, nada em mim é morno, nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama. E eu vou... Com o coração na mochila, o lápis borrado, o sorriso e a dúvida, a coragem e o medo, mas vou... Não digo: "estou indo", não digo: "daqui a pouco", nada tem hora a não ser agora. Existe aí algum remedinho para não-sentir? Existe alguma terapia, acupuntura, pedras, cores e aromas para me calar a alma e deixar mudo o pensamento? Quer saber? Existe. Existe e eu preciso. Preciso e não quero.
quarta-feira, março 23, 2011
Cuida de mim enquanto não esqueço de você.
Por que quem a gente gosta não gosta da gente do jeito certo ? Vai, olha pra mim e me prova com suas atitudes, palavras e gestos que eu sou tudo que você queria e esperava, segura na minha mão e olha nos meus olhos, fazendo juras de ser meu pra sempre, mesmo que você saiba que não é a gente que define isso, mas eu só queria o seu querer. Me prova que você se molda pra mim, como eu me moldo pra você. Não me deixa ir embora sem querer te levar junto. Eu te amo tanto e é maior que eu mesma, me perdoa pelos erros, como eu te perdoei pelos teus. Eu te amo, não tenho mais medo de falar, mas acredita em mim, até o mais belo e resistente jardim pode morrer, se não for bem cuidado.
Eu te amo, aprendi. Aprenda também.
Eu te amo, aprendi. Aprenda também.
Stop
Não sei se alguém tem tanta dificuldade em aceitar alguns fatos como eu, desistir das pessoas é um deles, com isso, sempre fico com aquele gostinho do medo, medo de ser chata, infantil ou imatura.
Bom, talvez se eu direcionasse toda essa força que faço pra insistir na gente, para os meus estudos, eu seria a melhor filha do mundo e uma aluna exemplar. Mas não é assim.
Aceitamos qualquer conseqüência dos nossos atos e os meus me fizeram chegar ao ponto de ver você se apagando em mim, sem poder questionar. Até o corpo já sabe o que o que o coração teima em esconder.
Todos temos direito de uma boa mudança para alimentar as esperanças de um ano novinho em folha, só que as pessoas esquecem de avisar quando elas mudam para pior.
Mesmo sendo eu a rainha "drama-sentimental", estive pensando que as pessoas tem mesmo razão quando dizem da tua sorte ao ter me encontrado, pois me orgulho do título, mesmo que tenha sido ele que nos trouxe até aqui.
Concordo contigo que acabar não significa que não foi especial, acabar só significa que uma das partes, não se importa mais em ser.
Sei da minha falta de credibilidade em desistir, pois são alguns bons meses desistindo e voltando atrás, mas desta vez o diferencial é que você não é mais o mesmo e eu olhei pra dentro e vi um vazio que a muito não me acolhia no seguro de não querer ninguém.
Eu sabia que implorar amor era pecado, daqueles mais feios, contra o amor-próprio, mas resolvi tentar e chega ao fim hoje a era do "please, will you still love me."
Aprendi que castigo por implorar é mais profundo que o já esperado desdenho, ele vem acompanhado de se sentir num eterno repeat, e a mesma música diversas vezes faz com que a gente tome preguiça dela, dei stop antes que um de nós jogasse o cd todo no lixo.
Tudo bem, não tenho a pretensão de te esquecer de hoje em diante e olhar pra ti como se nada tivesse acontecido, só fico feliz em já poder olhar e conseguir ver um passado gostoso e não um presente mal resolvido, sem futuro, com fim já anunciado.
Quanto a você, continue bem a vontade, mas desejo que consiga me ver também como uma lembrança feliz e não como mais uma ameaça de passado revirado.
Se eu aprendi a voar com você, hoje só me resta bater asas.
Bom, talvez se eu direcionasse toda essa força que faço pra insistir na gente, para os meus estudos, eu seria a melhor filha do mundo e uma aluna exemplar. Mas não é assim.
Aceitamos qualquer conseqüência dos nossos atos e os meus me fizeram chegar ao ponto de ver você se apagando em mim, sem poder questionar. Até o corpo já sabe o que o que o coração teima em esconder.
Todos temos direito de uma boa mudança para alimentar as esperanças de um ano novinho em folha, só que as pessoas esquecem de avisar quando elas mudam para pior.
Mesmo sendo eu a rainha "drama-sentimental", estive pensando que as pessoas tem mesmo razão quando dizem da tua sorte ao ter me encontrado, pois me orgulho do título, mesmo que tenha sido ele que nos trouxe até aqui.
Concordo contigo que acabar não significa que não foi especial, acabar só significa que uma das partes, não se importa mais em ser.
Sei da minha falta de credibilidade em desistir, pois são alguns bons meses desistindo e voltando atrás, mas desta vez o diferencial é que você não é mais o mesmo e eu olhei pra dentro e vi um vazio que a muito não me acolhia no seguro de não querer ninguém.
Eu sabia que implorar amor era pecado, daqueles mais feios, contra o amor-próprio, mas resolvi tentar e chega ao fim hoje a era do "please, will you still love me."
Aprendi que castigo por implorar é mais profundo que o já esperado desdenho, ele vem acompanhado de se sentir num eterno repeat, e a mesma música diversas vezes faz com que a gente tome preguiça dela, dei stop antes que um de nós jogasse o cd todo no lixo.
Tudo bem, não tenho a pretensão de te esquecer de hoje em diante e olhar pra ti como se nada tivesse acontecido, só fico feliz em já poder olhar e conseguir ver um passado gostoso e não um presente mal resolvido, sem futuro, com fim já anunciado.
Quanto a você, continue bem a vontade, mas desejo que consiga me ver também como uma lembrança feliz e não como mais uma ameaça de passado revirado.
Se eu aprendi a voar com você, hoje só me resta bater asas.
sexta-feira, março 18, 2011
(in)certezas.
Pior do que se sentir perdida é perder-se em si mesmo. No emaranhado do que você acredita misturado ao que você é ou era. O que você acredita, apostando corrida com o que você mais detesta. O que você tem, jogando palitinhos com o que você quer. Seu amor e suas dores na linha de chegada e o coração de juiz em dia de clássico.
Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam.
Quando a cabeça não pensa o corpo padece. Mas quando a cabeça pensa demais será que nossa alma enriquece?
Você cheio de indagações e de táticas que não fazem o menor sentido. (pelo menos para você ou pelo menos naquele momento).
Suas certezas mudam, suas prioridades deixam de ser prioridades já que você nem sabe mais o que deseja. Até sabe, mas está tão longe e você tão cansado que o mais fácil é deixar que as prioridades te encontrem e você pode fugir do que não interessa. Seus princípios enfraquecidos te cobram uma atitude e você cobra a coragem.
Seus olhos pesam e seu coração já bate fraco. De tanto que bateu a vida inteira. De tanto chorar amor e fracassos. De tanto chorar pelo leite derramado você decide que se entender é complicado demais. O quente queima e o frio é gelado demais, vai o morno mesmo que não causa sensação alguma e no momento você não tem sequer condições de sentir algo. Sentir dá trabalho e trabalho acarreta uma série de responsabilidades. Responsabilidade é chato demais e não aquece seus pés nos dias frios.
Você enfim, opta por decidir somente pelo necessário. Pelo que realmente vai fazer alguma diferença em sua vida e desiste de tentar equilibrar-se, isso é para artista circense e você nem gosta tanto de circo. Melhor deixar assim.
Uma porta de saída e uma de entrada. O que vale fica e o que não vale que valesse. Nada de culpa ou de noites mal dormidas, nada de coração na boca em de frio na barriga.
Certas coisas não se explicam. Não existem palavras que as descrevam ou soluções que as resolva . Sentimentos, gestos, sonhos e sorrisos. A alma entende e a boca cala.
Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam.
Quando a cabeça não pensa o corpo padece. Mas quando a cabeça pensa demais será que nossa alma enriquece?
Você cheio de indagações e de táticas que não fazem o menor sentido. (pelo menos para você ou pelo menos naquele momento).
Suas certezas mudam, suas prioridades deixam de ser prioridades já que você nem sabe mais o que deseja. Até sabe, mas está tão longe e você tão cansado que o mais fácil é deixar que as prioridades te encontrem e você pode fugir do que não interessa. Seus princípios enfraquecidos te cobram uma atitude e você cobra a coragem.
Seus olhos pesam e seu coração já bate fraco. De tanto que bateu a vida inteira. De tanto chorar amor e fracassos. De tanto chorar pelo leite derramado você decide que se entender é complicado demais. O quente queima e o frio é gelado demais, vai o morno mesmo que não causa sensação alguma e no momento você não tem sequer condições de sentir algo. Sentir dá trabalho e trabalho acarreta uma série de responsabilidades. Responsabilidade é chato demais e não aquece seus pés nos dias frios.
Você enfim, opta por decidir somente pelo necessário. Pelo que realmente vai fazer alguma diferença em sua vida e desiste de tentar equilibrar-se, isso é para artista circense e você nem gosta tanto de circo. Melhor deixar assim.
Uma porta de saída e uma de entrada. O que vale fica e o que não vale que valesse. Nada de culpa ou de noites mal dormidas, nada de coração na boca em de frio na barriga.
Certas coisas não se explicam. Não existem palavras que as descrevam ou soluções que as resolva . Sentimentos, gestos, sonhos e sorrisos. A alma entende e a boca cala.
Quer me tratar bem?
Amém! Se não quiser, vá com Deus, não me procure mais! Amor incondicional é muito bonito. Mas eu só tenho por mim, pela minha família e pelos meus cachorros. De resto, sou igual bicho. Me morde e eu te como.
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Eu amo você
E tô achando bom, tô repetindo: que bom Deus que sou capaz de estar vivo sem vampirizar ninguém, que bom que sou forte, que bom que suporto, que bom que sou criativo e até me divirto e descubro a gota de mel no meio do fel. Colei aquele 'Eu Amo Você' no espelho. É pra mim mesmo.
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
Mais uma vez
Que você me sentisse um pouco distante e tivesse pressa em me chamar outra vez para perto.
CFA
CFA
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
Siga
E assim aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário...por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.
Talvez um dia
Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas - se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso.
É uma decepção diferente
Não penso obsessivamente, não tenho vontade nenhuma de ligar nem de escrever cartas, não tenho ódio nem vontade de chorar. Em compensação também não tenho vontade de mais nada.
CFA
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terça-feira, fevereiro 08, 2011
Esperança
— É possível um rio secar completamente?
— Claro que é.
— Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
— Alguns sim, outros não.
— Mas nunca mais?
— Sei lá, acho que não.
— Você tem certeza?
— Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
— Sabe?
— O quê?
— Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia.
— Claro que é.
— Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
— Alguns sim, outros não.
— Mas nunca mais?
— Sei lá, acho que não.
— Você tem certeza?
— Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
— Sabe?
— O quê?
— Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia.
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
Mas passou...
Hoje te conto. E lembro daquela história zen, o rei que pediu ao monge um talismã que o protegesse de qualquer mal. O monge deu ao rei um anel, com a recomendação de abri-lo só em caso de extremo perigo. Um dia, o castelo foi cercado pelos inimigos, e o rei encurralado numa torre. Ele abriu o anel. Dentro, havia um papelzinho dobrado. Ele abriu o papelzinho e leu uma frase assim: “Isto também passará”.
CFA
domingo, fevereiro 06, 2011
Re-amar
Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar.
CFA
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sexta-feira, fevereiro 04, 2011
I Coríntios 2:9
Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Seguindo em frente
E assim, aos poucos ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.
CFA
A gente sempre acha
que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não.
CFA
Tô aprendendo a viver sem você
Venha pra perto de mim e veja como eu estou só. Senta, não olha pro chão, a culpa não foi de ninguém, não, não. Ah, tô aprendendo a viver sem você. Sei que o dia raiou para mim mas pra você tanto fez. Sei que não vou mudar sou assim, para você sou mais um. Ahh, tô aprendendo a viver sem você. Tô aprendendo e não quero aprender. Tô voltando pro meu recanto, lá é bem melhor. Não, não sei quem vai estar me esperando, eu nunca vou estar só.
Detonautas
Detonautas
domingo, janeiro 30, 2011
Domingo
Certas pessoas, no afã de querer construir um mundo onde nenhuma ameaça externa pudesse penetrar, aumentam exageradamente suas defesas contra o exterior - gente estranha, novos lugares, experiências diferentes - e deixam o interior desguarnecido. É a partir daí que a amargura começa a causar danos irreversíveis.
O grande alvo da amargura (ou Vitríolo, como preferia Dr. Igor) era a vontade. As pessoas atacadas deste mal iam perdendo o desejo de tudo, e em poucos anos já não conseguiam sair de seu mundo - pois tinham gasto enormes reservas de energia construindo altas muralhas para que a realidade fosse aquilo que desejavam que fosse.
Ao evitar o ataque externo, tinham também limitado o crescimento interno. Continuavam indo ao trabalho, vendo televisão, reclamando do trânsito e tendo filhos, mas tudo isso acontecia automaticamente, e sem qualquer grande emoção interior - porque, afinal, tudo estava sob controle.
O grande problema do envenenamento por amargura era que as paixões - ódio, amor, desespero, entusiasmo, curiosidade - também não se manifestavam mais. Depois de algum tempo, já não restava ao amargo qualquer desejo. Não tinham vontade nem de viver, nem de morrer, este era o problema.
Por isso, para os amargos, os heróis e os loucos eram sempre fascinantes: eles não tinham medo de viver ou de morrer. Tanto os heróis como os loucos eram indiferentes diante do perigo, e seguiam adiante apesar de todos dizerem para não fazerem aquilo. O louco se suicidava, o herói se oferecia ao martírio em nome de uma causa - mas ambos morriam, e os amargos passavam muitas noites e dias comentando o absurdo e a glória dos dois tipos. Era o único momento em que o amargo tinha força para galgar sua muralha de defesa e olhar um pouquinho para fora; mas logo as mãos e pés cansavam, e ele voltava para a vida diária.
O amargo crônico só notava a sua doença uma vez por semana: nas tardes de domingo. Ali, como não tinha o trabalho ou a rotina para aliviar os sintomas, percebia que alguma coisa estava muito errada - já que a paz daquelas tardes era infernal, o tempo não passava nunca, e uma constante irritação manifestava-se livremente.
Mas a segunda-feira chegava, e o amargo logo esquecia os seus sintomas - embora blasfemasse contra o fato de que nunca tinha tempo para descansar, e reclamasse que fins de semana passavam muito rápido.
Veronika decide morrer - Paulo Coelho.
O grande alvo da amargura (ou Vitríolo, como preferia Dr. Igor) era a vontade. As pessoas atacadas deste mal iam perdendo o desejo de tudo, e em poucos anos já não conseguiam sair de seu mundo - pois tinham gasto enormes reservas de energia construindo altas muralhas para que a realidade fosse aquilo que desejavam que fosse.
Ao evitar o ataque externo, tinham também limitado o crescimento interno. Continuavam indo ao trabalho, vendo televisão, reclamando do trânsito e tendo filhos, mas tudo isso acontecia automaticamente, e sem qualquer grande emoção interior - porque, afinal, tudo estava sob controle.
O grande problema do envenenamento por amargura era que as paixões - ódio, amor, desespero, entusiasmo, curiosidade - também não se manifestavam mais. Depois de algum tempo, já não restava ao amargo qualquer desejo. Não tinham vontade nem de viver, nem de morrer, este era o problema.
Por isso, para os amargos, os heróis e os loucos eram sempre fascinantes: eles não tinham medo de viver ou de morrer. Tanto os heróis como os loucos eram indiferentes diante do perigo, e seguiam adiante apesar de todos dizerem para não fazerem aquilo. O louco se suicidava, o herói se oferecia ao martírio em nome de uma causa - mas ambos morriam, e os amargos passavam muitas noites e dias comentando o absurdo e a glória dos dois tipos. Era o único momento em que o amargo tinha força para galgar sua muralha de defesa e olhar um pouquinho para fora; mas logo as mãos e pés cansavam, e ele voltava para a vida diária.
O amargo crônico só notava a sua doença uma vez por semana: nas tardes de domingo. Ali, como não tinha o trabalho ou a rotina para aliviar os sintomas, percebia que alguma coisa estava muito errada - já que a paz daquelas tardes era infernal, o tempo não passava nunca, e uma constante irritação manifestava-se livremente.
Mas a segunda-feira chegava, e o amargo logo esquecia os seus sintomas - embora blasfemasse contra o fato de que nunca tinha tempo para descansar, e reclamasse que fins de semana passavam muito rápido.
Veronika decide morrer - Paulo Coelho.
sábado, janeiro 29, 2011
E se ele tivesse lutado mais?
Uma tarde, passou diante da estátua de Presëren o grande poeta esloveno, e começou a pensar sobre sua vida. Aos 34 anos, ele entrara certa vez numa igreja e vira uma moça adolescente, Julia Primic, pela qual ficara perdidamente apaixonado. Como os antigos menestréis, começou a lhe escrever poemas, na esperança de casar-se com ela.
Acontece que Julia era filha de uma família de alta burguesia, e - afora aquela visão fortuita dentro da igreja - Presëren nunca mais conseguiu chegar perto dela. Mas aquele encontro inspirou seus melhores versos, e criou a lenda em torno do seu nome. Na pequena praça central de Lubljana, a estátua do poeta mantém os olhos fixos em uma direção: quem seguir seu olhar descobrirá - do outro lado da praça - um rosto de mulher esculpido na parede de uma das casas. Era ali que morava Julia; Presëren, mesmo depois de morto, contemplava para a eternidade o seu amor impossível.
Pág 63; Veronika decide morrer - Paulo Coelho.
Acontece que Julia era filha de uma família de alta burguesia, e - afora aquela visão fortuita dentro da igreja - Presëren nunca mais conseguiu chegar perto dela. Mas aquele encontro inspirou seus melhores versos, e criou a lenda em torno do seu nome. Na pequena praça central de Lubljana, a estátua do poeta mantém os olhos fixos em uma direção: quem seguir seu olhar descobrirá - do outro lado da praça - um rosto de mulher esculpido na parede de uma das casas. Era ali que morava Julia; Presëren, mesmo depois de morto, contemplava para a eternidade o seu amor impossível.
Pág 63; Veronika decide morrer - Paulo Coelho.
sexta-feira, janeiro 14, 2011
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Cigarros
Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim, há muito tempo estava acostumado a apenas consumir pessoas como se consomem cigarros, a gente fuma, esmaga a ponta no cinzeiro, depois vira na privada, puxa a descarga, pronto, acabou. Desculpe mas foi só mais um engano? E quantos ainda restam na palma da minha mão? Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com essa fome na boca.
Por trás de tudo
As pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem, há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis não formulados, camadas inperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem e sobretudo, como dizias, emoções que nem se mostram.
terça-feira, janeiro 04, 2011
Divã
Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu anti socialismo interno.
Adoro massas cinzentas. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa, impulsiva e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos.
Tenho um cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessas horas não sei onde vão parar minhas idéias viris.
Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada.
Adoro massas cinzentas. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa, impulsiva e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos.
Tenho um cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessas horas não sei onde vão parar minhas idéias viris.
Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada.
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